Os Dominicanos e o Rosário

A oração do Rosário (ou Terço) de Nossa Senhora, desde a sua origem, tem estado ligado à pregação e à oração dos Dominicanos. Os frades iletrados rezavam diariamente o saltério de 150 Ave Marias, em vez dos salmos, lidos ou cantados a partir dos livros litúrgicos. Os mistérios do Rosário foram introduzidos como resumo e método de pregação desde os tempos de S. Domingos e companheiros. "Os filhos de S. Domingos, são por tradição, os guardiães e propagadores de tão salutar devoção do Rosário, ou Terço", disse o Papa Paulo VI, na exortação Apostólica "Marialis cultus" (1974) onde fala longamente do Rosário.

A pregação desta devoção, tão querida dos fiéis, é uma das prioridades da missão dos religiosos dominicanos.

Por toda a parte as confrarias do Rosário reúnem no mesmo laço de amor a Maria, milhares, de fiéis e associações do Rosário Perpétuo e Vivo estabelecidas em diversos pontos do nosso país, prestam dia e noite à Mãe do Céu uma Guarda de Honra contínua.

Em Portugal, terra de Santa Maria, a devoção ao Rosário de Nossa Senhora deve-se em boa parte, ao apostolado dos antigos religiosos dominicanos. Muitas freguesias têm ainda as suas Confrarias do Rosário. Nas aparições em Fátima, Nossa Senhora recomendou esta devoção e por isso urge dar-lhe maior incremento.

Todos os anos, no último fim-de-semana de Setembro, se reúnem em Fátima milhares de Rosaristas, na Peregrinação Nacional do Rosário. Os jovens associam-se a esta Peregrinação, na "Caminhada com Maria".

Na oração do Povo de Deus, a Eucaristia e o Ofício Divino (ou Liturgia das Horas) têm um lugar central e insubstituível. A oração do Rosário (ou Terço), em ligação com a oração litúrgica da Igreja, tornou-se a devoção mais divulgada e promovida por muitos Santos e pelos Papas, desde o século XIII até aos nossos dias.

É a oração mais rezada no mundo inteiro. É oração repetitiva. Dir-se-á: porque se há-de rezar cinquenta vezes a mesma oração? Já reparámos que tudo na vida é repetitivo? O sol nasce todos os dias, a água corre sempre para o mar, apanhamos todos os dias o mesmo autocarro, vamos para o mesmo trabalho, para o mesmo liceu, o ritmo da música é constante, etc. O que quebrará então a rotina e nos faz encontrar a novidade que prende, que desperta o interesse e o gosto pelo que vivemos? Certamente o motivo por que o fazemos. O brevíssimo "gosto de ti", repetido por milhões e milhões de pessoas, desde a origem do mundo, ainda não perdeu a sua frescura. E continua a exprimir o amor que dedicamos aos outros.

E o motivo da repetição das orações próprias do Terço do Rosário, é despertar em nós uma atitude de louvor a Maria, expressivo do nosso amor por Ela, porque Mãe de Jesus e nossa Mãe também e, em união com Ela, pormo-nos em relação com os mistérios da vida de Jesus, desde a Anunciação, em que se fez carne, até à sua Ascensão ao céu, bem como com a atitude de Maria que seguiu sempre Jesus e como Ele já se encontra gloriosa, em corpo e alma, no Céu.

Assim como Jesus veio a nós por Maria, por Maria também iremos a Jesus, e esta é uma das finalidades do Rosário.

O "segredo" do Terço do Rosário está em aliar à repetição vocal (ao ritmo das palavras repetidas) a atenção a alguns dos Mistérios centrais da História da Salvação. A repetição de fórmulas está dentro das regras psicológicas do nosso ser. Não há canções populares ou de música moderna, ou grandes composições, que não adoptem a lei, das repetições ritmadas. O que interessa na repetição das palavras é criar um clima de presença, uma atitude interior, para lá das palavras. No Terço, ao repetir as Ave Marias e os Pai-Nosso, acompanhamos as atitudes de Maria, nos caminhos da salvação. Ela torna-se presente nos momentos do dia e nas situações em que o rezamos. Os Mistérios deixam de ser distantes, para se tornarem próximos. Porque a oração do Terço é simples, é que tantos mestres da oração a praticam e recomendam.

O Rosário tem uma inspiração claramente evangélica: é ao Evangelho que vai buscar o enunciado dos Mistérios da Salvação e as orações do Pai-Nosso, primeira parte da Ave Maria e o Glória. A ordenação dos Mistérios segue a pregação primitiva do Mistério de Cristo: vinda ao nosso mundo, vida pública, Paixão e glória à direita do Pai. Pode dizer-se que o Terço (ou Rosário) é o Evangelho aplicado ao nosso dia-a-dia, em companhia de Maria.

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