Páscoa: percorrer um caminho novo

O povo hebreu celebrou a sua Páscoa, a saída do Egipto, da morte, da escravidão para a liberdade; isso foi um anúncio da nova Páscoa em que através da Morte e Ressurreição de Cristo se deu a libertação e o triunfo total do Homem-Deus e n’Ele a libertação e o triunfo da Humanidade sobre o pecado, sobre toda a escravidão, das trevas para a luz. Alegremo-nos com a Ressurreição de Jesus porque uma nova vida nos foi dada.
Cristo sofreu por nós, mas libertou-se da morte para nos dar a possibilidade de, também nós, podermos, um dia, estar junto do Pai. “Para reconciliar consigo todos os homens votados à morte por causa do pecado, Deus tomou a iniciativa amorosa de enviar o Seu Filho para que se entregasse à morte pelos pecadores. Anunciada no Antigo Testamento, em particular como sacrifício do Servo sofredor, a morte de Jesus acontece «segundo as Escrituras».

Toda a vida de Cristo é oferta livre ao Pai para realizar o seu desígnio de salvação. Ele dá «a Sua vida em resgate por muitos» (Mc 10,45) e deste modo reconcilia com Deus toda a humanidade. O Seu sofrimento e a Sua morte manifestam como a Sua humanidade é o instrumento livre e perfeito do Amor divino que quer a salvação de todos os homens.
Na última Ceia com os Apóstolos, na vigília da paixão, Jesus antecipa, isto é, significa e realiza antecipadamente a oferta voluntária de Si mesmo: «este é o meu corpo entregue por vós», «este é o meu sangue, que é derramado...» (Lc 22,19-20). Ele institui assim ao mesmo tempo a Eucaristia como «memorial» (1 Cor 11,25) do Seu sacrifício e os Seus Apóstolos como sacerdotes da nova Aliança.

Jesus ofereceu livremente a Sua vida em sacrifício de expiação, isto é, reparou as nossas culpas com a plena obediência do Seu amor até à morte. Este «amor até ao fim» (Jo 13,1) do Filho de Deus reconcilia com o Pai toda a humanidade. O sacrifício pascal de Cristo resgata portanto os homens num modo único, perfeito e definitivo, e abre-lhes a comunhão com Deus.
Chamando os discípulos a «tomar a Sua cruz e a segui-lo» (Mt 16,24), Jesus quer associar ao Seu sacrifício redentor àqueles mesmos que dele são os primeiros beneficiários.
Embora seja um acontecimento histórico, constatável e atestado através dos sinais e testemunhos, a Ressurreição, enquanto entrada da humanidade de Cristo na glória de Deus, transcende e supera a história, como mistério da fé. Por este motivo, Cristo Ressuscitado não se manifestou ao mundo mas aos Seus discípulos, fazendo deles as Suas testemunhas junto do povo.

“A Ressurreição de Cristo não foi um regresso à vida terrena. O Seu corpo Ressuscitado é Aquele que foi crucificado e apresenta os vestígios da Sua Paixão, mas é doravante participante da vida divina com as propriedades dum corpo glorioso. Por esta razão, Jesus Ressuscitado é soberanamente livre de aparecer aos Seus discípulos como Ele quer, onde Ele quer e sob aspectos diversos.”

“Se Cristo não ressuscitasse, a nossa fé seria vã, como diz S. Paulo. Mas Cristo Ressuscitou e nós acreditamos naqueles que o testemunharam.
Desde Cristo ressuscitado há mais de dois mil anos, a Humanidade vive em caminhos de ressurreição: contra tudo o que é mal, opressão, ignorância, erro, infelicidade, tristeza, luto. Cristo ressuscitado garantiu-nos o triunfo final”.

Celebrar a Páscoa, a Ressurreição de Jesus é fazer a passagem para o homem novo, para a vida nova: cheia de esperança, com mais alegria, e mais gosto de viver e conviver, de mais luz, de mais sentido da vida.

Boas Festas Pascais!

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