Páscoa: um desafio e um apelo

A Páscoa, como celebração, é um dom, uma graça, mas é também um desafio e um apelo. Por isso, temos a Quaresma para nos preparamos a sério. Não podemos reduzir a grandeza do mistério da Páscoa (da Ressurreição gloriosa do Senhor) às prendas, aos enfeites e arranjos ou mesmo à missa, com cânticos bonitos. Não podemos reduzir a Páscoa ao seu aspecto exterior, mas sim saborear o seu interior e as suas exigências evangélicas.

A Páscoa é escola de vida de muitos ensinamentos, é um convite que o Senhor nos faz a uma vida diferente: mais justa, mais solidária para com os outros. A Páscoa é nascer de novo e optar por Deus, pelo Seu amor, pela sua Palavra, pelas suas exigências.

Não há Páscoa se não abrirmos o coração ao próximo, se não amarmos de verdade os nossos irmãos, se continuarmos egoístas e avarentos, comodistas, instalados, agressivos e rancorosos, fazendo acepção de pessoas…

Precisamos de descobrir o rosto de Jesus Ressuscitado em todos os que sofrem e vivem na dor e na pobreza. Enquanto houver estômagos vazios, gente a viver à fome e com grandes necessidades económicas, não há Páscoa. Enquanto houver lares sem amor, sem união, caminhando para o divórcio não há Páscoa. Enquanto se matarem crianças com o crime do aborto, enquanto morrem de fome tantos inocentes não há Páscoa. Enquanto se cometerem injustiças, se violarem os direitos humanos e não respeitarem a dignidade de cada pessoa, não há Páscoa.

Enquanto houver mães solteiras injuriadas e desprezadas, enquanto houver órfãos sem carinho, sem amor, enquanto houver idosos abandonados e sós, não há Páscoa. Enquanto Deus não tiver lugar em todos corações e em tantas vidas, enquanto Jesus não for o centro polarizador da vida dos homens não há Páscoa. Enquanto houver casas, famílias sem amor, sem pão, sem emprego, sem paz, sem meios de cultura, não há Páscoa. Enquanto no coração dos homens houver ódio, rancores, vinganças, depravação moral, mentira, não há Páscoa. Enquanto uns enriquecerem á custa da exploração dos outros, através da fraude e da injustiça e outros viverem cada vez mais pobres e miseráveis, não há Páscoa. Enquanto alguns homens da Igreja estiverem mais preocupados consigo, com a sua imagem, com o seu prestígio, com a sua conta bancária e não forem homens pobres, simples servos dos homens, não há Páscoa.

Saibamos comprometer a vida e o amor a Deus e ao próximo e, para que possa haver Páscoa todos os dias, dá-nos Senhor a graça de celebrar uma Páscoa cristã; dá-nos a graça de nos abrirmos aos outros, a graça de Te acolhermos no quotidiano da nossa vida.

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